Último Encontro

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22/10/2010 por Radoc Lobo

E naquele momento eu o encontrei.
A figura que eu havia santificado em minha mente estava diante de mim e parecia mais demoniaca que o mais sombrio e assustador pesadelo que ja tive.
Mesmo que sua aparência fosse a mesma, para mim, naquele momento, algo estava diferente.
Era como se eu visse sua aura negra.
Quando ele me viu, avançou em minha direção com uma brutal sede de sangue.
Eu via cada um de seus movimentos como se fossem feitos lentamente.
Enquanto se aproximava, retirou algo que parecia uma faca de um bolso interno da roupa.
Neste segundo que pareceu se estender por uma hora eu refleti sobre muitas coisas.
Todas os ensinamentos que ele me deu pareciam perder todo sentido.
Como alguém que parecia tão bom poderia chegar a aquela deplorável situação?
Talvez uma nova alma possuindo aquele corpo, ou um momento de insanidade?
Todas as vezes que eu pensava em me entregar aos meus impulsos era ele que me impedia.
Será que nada que ele disse era real?
Esses pensamentos me enchiam a mente e mesmo assim eu observava atenciosamente cada um de seus gestos até o momento que ele tentou desferir seu golpe fatal e me perfurar com aquela faca.
Minha mão esquerda pareceu ter consciencia própria e defendeu meu corpo.
Naquele instante eu tinha incontáveis perguntas para fazer mas as únicas palavras que sairam da minha boca foram “Por que?”.
Sua resposta foi mais surpreendente do que qualquer coisa que eu imaginei.
– Porque isso é o que eu sou.
Essa resposta ressoou em minha alma.
“Ninguém pode negar a própria natureza.”
Esse pensamento veio como um raio fez despertar.
O despertar trouxe um sorriso singelo e involutário e me fez dizer.
Acho que o que sou vai ser útil agora.
Dizendo isso senti uma intensa sensação de liberdade e como animal retribui com minha mão direita a facada que ele tentou me dar.
A posição o favoreceu, mas passei perto de seu pescoço.
Mesmo estando com a vantagem da arma ele se afastou por causa do susto.
Apesar de surpreso, ele não mudou sua expressão, na verdade pareceu empolgado com isso.
Eu ja não o via mais com tanto terror, todas as minhas duvidas se transformaram em duas certezas:
A primeira: Ele precisava ser parado!
E a segunda: Eu nao podia perder aquela chance de me divertir.

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